PORQUE DEUS EXISTE :
Sim Deus existe, mesmo que duvides da sua existência, que não acredites n' Ele, que penses como eu pensava . Ele é o teu maior amigo, confia sempre n' Ele.
Como muitos, também eu, não acreditava em Deus, em religiões, padres, aparições e tudo o que queria, era ver tais temas, a grande distância.
Sou advogado, exercendo advocacia em Portugal, há mais de 25 anos.
No 1º sábado de Abril de 2003, iniciei uma corrida contra tudo, o que alguma vez poderia imaginar. Meses antes, familiares meus, falaram-me no Prado Novo, no Escorial, pequena cidade, situada a cerca de 50 km a Norte de Madrid em Espanha, pois aí, num terreno descampado, havia aparecido Nossa Senhora. Lá se dirigia muita gente nos primeiros sábados de cada mês, havia sinais no sol, perfumes no local...
Muito incrédulo e desconfiado, armado de máquina fotográfica, parti à descoberta de tais sinais e perfumes, numa de desporto impossível.
Parti num autocarro às 5,40 horas da manhã, com grande sacrifício, pois há muito não madrugava assim. Mal iniciámos viagem, puseram um vídeo sobre o Escorial muito chato, sobre uma vidente, chamada Maria da Luz Amparo Cuevas, falando numa aparição de Nossa Senhora, em casas de velhinhos e freiras, que a grande custo e enorme paciência fui suportando.
Próximo de Tondela, o autocarro parou, para que quem quisesse, pudesse tomar um café, fumar um cigarro, ou ir à casa de banho. Escusado será dizer que, para mim, foi um grande alívio, poder sair e acalmar o meu nervoso anti religioso, tomar um café, fumar o meu primeiro cigarro desde que arranquei, o que para mim, então viciado em tabaco, foi extremamente penoso.
Voltámos ao autocarro. Continuaram as tormentas...
Então não é, que, após me terem impingido um vídeo sobre uma vidente, agora decidem rezar. Ai de mim ! Onde me vim meter !... Não é mais que uma seita de “ beatos - falsos “.
Só sabiam rezar, rezar, rezar, cantar cânticos religiosos - começaram pela oração da manhã - salmos, cânticos, mais orações e cânticos à mistura e no final ainda nos enchem o “ papinho “ com a reza do terço.
Imaginem, que estas rezas se vão prolongando desde Tondela até Vilar Formoso, quase sem interrupções ! É um fartote..
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Sinto-me muito mal, neste ambiente, que para mim, é de autêntico fanatismo religioso.
Fico inquieto, nervoso, intranquilo, farto de... tanta reza junta. Escusado será dizer que desejava que o autocarro, de imediato, parasse em qualquer sítio, mesmo num local deserto e aí me deixasse sem ter transporte para regressar a casa.
O importante seria largar o autocarro, daqueles “ fanáticos “.
Mas a reza continua; finjo não ouvir o que dizem ou rezam, mas não querendo fazer figura de mal educado, vou aguentando a custo, com uma estranha sensação de mal - estar, profundo descontentamento e grande revolta interior por me ter vindo aqui meter ( sem nunca imaginar que o passeio a Espanha afinal era uma seca, um quase contínuo rezar).
Prosseguimos viagem e eis que as enfadonhas rezas param; são quase 9 horas e surge-nos em frente Vilar Formoso. Nova paragem que proporciona um óptimo momento para tomar o pequeno almoço, fumar mais um cigarro.
De facto, as orações foram mais que muitas, os cânticos religiosos aos montes, para quem, como eu, não acreditava em Deus, nem em nada que cheirasse a Ele, ou a qualquer religião.
Decorrido o intervalo para descontrair e tomar o pequeno almoço, volto deprimido ao autocarro, com a ânsia de rapidamente chegar ao Escorial e aí poder fotografar ou constatar os propalados fenómenos celestes, sem ter que aturar mais rezas maçadoras que, por certo, prosseguiriam.
Estamos perto de Ciudad Rodrigo e alguém diz que, a seguir, vamos parar para ir à missa à Catedral e que quem quiser, desde que não crie demoras, pode aí confessar-se.
Ai que chatice! Missas! Confissões !
Mas e ainda bem, segredam-me ao lado... Não precisas de ir ! Podes ficar no autocarro !
Mais uns quilómetros de estrada ... e o imprevisto e inexplicável surge.
Um flash íntimo, pessoal, repentino, desconcertante, que não consigo exprimir em palavras, me paralisa, faz-me admitir que tal convite de confissão “ pode ser para mim “, “ é para mim “, “ é-me dedicado “.
Mas qual quê ? Estás maluco? Endoideceste de vez ?
“ Tens que te confessar ! “. Mas como?
Se detesto igrejas, padres, não posso com religiões, se já esqueci o que é uma confissão e tudo o que “ cheire “ a religião, se não sei rezar, nem muito menos dizer o acto de contrição ( tanto o grande, como o pequeno), se gosto muito de estar como estou, sem um Deus a comandar-me, se estou bem na vida, se nada me falta, se economicamente vivo muito bem, para quê um Deus a controlar-me, ou a confissão a um padre que é igual a mim, que é pecador, que não precisa de saber da minha vida..., se os meus pecados são tantos..., que demoraria vários dias a confessar-me...
- “ Vai - te confessar ! ”
Não posso, não quero, não tenho nada a ver com tal fantochada!
- “ Vai ! Vai já ! “
A custo, peço a um familiar, que me escreva num papel o acto de contrição pequenino, porque não me lembro do grande nem do pequeno, e pasmados ficam os familiares que me acompanham, quando lhes digo que me vou confessar.
O quê ? Ouvimos bem ? Será possível ? Será verdade?
A propósito, direi que não gostava que a minha filha fosse à missa, não a deixei fazer o crisma, nunca gostei que fosse à catequese, há 32 anos que não frequentava igrejas, missas, não rezava, há muito esquecera as orações mais comezinhas e comuns, não tinha fé, mas mais grave que tudo, combatia quem a tivesse e detestava tudo o que fosse religião ou me cheirasse a ela.
Para mim, religião era coisa de “ padres “ e “ beatas-falsas “, que há muito devia ser banida da sociedade.
Saio do autocarro, dirijo-me à catedral de Ciudad Rodrigo. Aí, pergunto onde há confissões e dirijo-me à respectiva fila. O padre é espanhol, mas entende bem o português e faz-se entender, é compreensivo e humano, foi o padre certo de que precisava naquele momento. Confessei - me. Saio de lá radiante, com a consciência tranquila, muito leve, com o nítido propósito de daí em diante mudar o meu caminho, o meu rumo, seguir o meu Deus desconhecido, que há muito esquecera e que afinal acabara de descobrir ser MEU AMIGO porque me perdoara. E os pecados eram mais que muitos...
Ainda hoje, para mim, a catedral de Ciudad Rodrigo é e será sempre local que gostaria de paragem obrigatória. Aí reencontrei o meu Deus.
De regresso ao autocarro, queria começar a rezar, mas já esquecera a maioria das orações, mesmo as mais comezinhas.
Aos poucos, porém, vou reaprendendo a rezar. Chego ao Escorial, com muita vontade de ver os fenómenos solares e perfumes, mas sobretudo, agradecer a Deus o reencontro de poucas horas atrás, que eu atribuo à Virgem Dolorosa, que mesmo antes de chegar ao Prado Novo do Escorial me havia convertido.
O Prado Novo, no Escorial, é um jardim sagrado, escolhido por Nossa Senhora, no qual derrama imensas graças espirituais e físicas, em que a água que aí brota de uma fonte já curou e curará muitíssimas doenças físicas e espirituais, como o atestam os inúmeros testemunhos de curas físicas, mas, sobretudo, espirituais.
Assim se porventura és ateu, agnóstico, se não ligas a religiões ou há muito te desligaste da religião, peço-te uma coisa: vai ao Prado Novo do Escorial.
Podes visitar os sítios: www.pradonuevo.es ou web.jet.es/virgendolorosa ou contactar a Associação Virgem das Dores do Prado Novo do Escorial, para saberes como podes ir até lá; aproveita e vai na peregrinação mensal que a associação organiza desde Portugal e que todos os primeiros sábados aí se dirige, partindo do Norte de Portugal e também de Lisboa.
Assim, se tens recta intenção, mesmo que não creias em Deus ou não pratiques qualquer religião, este convite é para ti, tal como o é, se há muito esqueceste as tuas obrigações de católico.
Se não queres ir numa peregrinação, rezando, para ti que, em nada crês, tens outra alternativa - num qualquer 1º sábado do mês, de madrugada, pega no teu carro e vai com a tua família ao Escorial ( 50 Km a Norte de Madrid), tenta estar lá, por volta das 15 horas, para acompanhares a via - sacra ou a procissão da Virgem Dolorosa; tenta, pelo menos, assistir à recitação do terço, mesmo que não queiras rezar. Mesmo que chova a cântaros aí estará muita gente: espanhóis, portugueses, franceses e de outras nacionalidades. Sentirás uma grande paz de espírito, desde que não vás para escarnecer dos que lá vão.
Não te preocupes,se não queres rezar, se não sabes rezar. Acredita, que no final, já saberás dizer um Pai - Nosso, uma Ave - Maria ou inventarás mesmo uma prece tua ao teu Deus desconhecido que te espera, ansioso.
Acredita que, se estiveres de boa - fé, o Senhor e a Virgem Dolorosa vão modificar radicalmente a tua vida; pede-Lhes o que quiseres do foro espiritual, deixa que, derramem as suas graças em ti.
O que te posso dizer a meu respeito, é que, desde esse primeiro sábado de Abril de 2003, nunca mais me deitei sem rezar o meu terço, nem que o termine como já aconteceu, às 4 ou 5 da manhã.
A minha vida religiosa transformou-se desde esse dia. Não significa, que me tenha transformado radicalmente e de um momento para o outro e de ateu me tenha transformado num super-praticante ou, como antes dizia, “ num beato- falso “.
Sei, porém, que a partir desse dia, reencontrei o meu Deus há muito perdido. Reencontrei a fé no meu Deus e em Nossa Senhora.
Agradeço à Virgem Dolorosa, à Virgem do Escorial, o ter-me dado este grande safanão, mesmo muito antes de ter chegado pela primeira vez ao Escorial e de aí ter reencontrado uma Mãe há muito desaparecida.
No Escorial, desde esse dia, e já lá fui muitas vezes, tirei fotos lindas, desconcertantes e inexplicáveis humanamente, que para um colega e amigo, que se afirma ateu, a quem as mostrei e depois de ele me dizer que todas elas têm uma explicação científica, igualmente me pediu para ver os negativos, acrescentando, por fim, que um dia destes, também há - de ir ao Escorial.
Várias vezes no Prado Novo, observei o sol a girar intensamente e com várias cores; olho directamente para o sol sem problemas, observo as lindas manchas amarelas que, de repente, surgem no horizonte, nas árvores, no chão, nos objectos ou nos rostos dos que nos rodeiam, que, de repente, se tornam “ amarelos “; muitas vezes, e por segundos, senti o maravilhoso “ perfume “, misto de cheiro a rosas ou ervas silvestres.
De Abril de 2003 até hoje já voltei muitas vezes ao Escorial e quanto mais vezes aí vou, mais vontade tenho de ir, bem sabendo que aquilo que antes era um sacrifício - fazer tal peregrinação - se tornou mais uma fonte de graças, que recebo de cada vez que aí me dirijo.
A fé, o amor a Deus e à Virgem e a minha humildade saem sempre reforçados.
Obrigado Virgem Pura e Dolorosa do Escorial, por me teres voltado a acolher em teus braços ao fim de mais de 32 anos de ateísmo e apostasia !
1 de Dezembro de 2007.
HR